MEDICINA GERAL E FAMILIAR
A Medicina Geral e Familiar (MGF) é uma especialidade médica caracterizada pela atenção integral à saúde e por levar em consideração a inserção do paciente na família e na comunidade.
O médico de família é, por excelência, um médico de Atenção Primária à Saúde, ou seja, deve ter um vínculo com seus pacientes mesmo antes deles adoecerem e, no início dos sintomas, deve ser o primeiro médico a ser consultado.
Desta forma, o médico de família está numa posição privilegiada para preservar a saúde, prevenir doenças, fazer um diagnóstico precoce e tratar as doenças já instaladas.
Na MGF não existe divisão entre prevenção e cura.
O médico de família atende pessoas de todas as idades e sexos e trabalha em equipa interdisciplinar. É capaz de resolver 80 a 90% das situações que necessitam de assistência médica, encaminhando as restantes para os especialistas adequados.
Esta especialidade recupera a relação médico-paciente prejudicada pela grande fragmentação decorrente da ultra-especialização da medicina.
- Lida com todos os problemas de saúde, independentemente da idade, sexo, ou qualquer outra característica do paciente.

- Utiliza eficientemente os recursos da Saúde, coordenando a prestação de cuidados, trabalhando com outros profissionais no contexto dos cuidados primários e gerindo a interface com outras especialidades e assumindo um papel de advocacia do paciente sempre que necessário.
- Desenvolve uma abordagem centrada na pessoa, orientada para o indivíduo, a família e a comunidade.

- Tem um método de Consulta que permite estabelecer e fortalecer uma relação ao longo do tempo, criando uma comunicação médico-paciente efectiva.
- É responsável pela prestação de cuidados continuados ao longo do tempo, de acordo com as necessidades do paciente.
- Gere simultaneamente os problemas agudos e crónicos.
- Gere as doenças que se apresentam de forma indiferenciada, numa fase precoce da sua história natural, e que podem necessitar de intervenção urgente.

- Promove a saúde e o bem-estar.
- Tem uma responsabilidade específica pela saúde da família.

- Lida com os problemas de saúde em todas as suas dimensões: física, psicológica, social, cultural e existencial.
Medicina integrativa é uma expressão que começou a usar-se recentemente.
Na maioria dos casos indica os
cuidados médicos que conjugam eficazmente a medicina ocidental moderna, dita
convencional, com as restantes medicinas chamadas complementares e alternativas.

O
mérito da medicina convencional reside na explicação das estruturas e funções
básicas do corpo humano com o substrato científico da anatomia, patologia,
fisiologia e imunologia, etc.; na instituição de métodos de exames, análises e
diagnóstico bem como na comprovação objectiva da eficácia da sua terapêutica.
Contudo, mesmo assim, falta-lhe explicação para a causa de um número considerável de doenças, para as quais também não oferece tratamento.
Além do mais,
por se basear em informações estatísticas, muitas vezes tem a tendência de não
levar em consideração o ambiente e as peculiaridades individuais.
Nas
enfermidades crónicas, nas do foro psíquico assim como nas convalescenças, o
estilo de vida e as características pessoais influem sobremaneira para o curso
evolutivo da cura.
Hoje, a sociedade necessita de uma medicina vocacionada para o indivíduo, dando atenção às características pessoais e ao estado psicológico.
Esta necessidade pode ser preenchida por uma sinergia gerada pela combinação da medicina convencional com as complementares e alternativas.

A ideia não é excluir nada, mas juntar tudo, fazendo descobrir à pessoa que o seu corpo é detentor de capacidade de cura da própria doença.
A medicina integrativa privilegia o indivíduo.
Um paciente difere dos demais não só pelo sexo, idade, personalidade, meio em que se encontra inserido, mas também pela natureza e condição da sua doença.
A medicina que privilegia o indivíduo é a que dá importância, no diagnóstico e tratamento, às condicionantes e à constituição do paciente.
A mesma doença manifesta-se de modo diferente em cada indivíduo. A doença de um indivíduo deve ser avaliada, entendida e tratada de modo próprio e não como pertencendo a um grupo de dados estatísticos, com abordagens e tratamentos uniformizados.
O termo Medicina Holística refere-se à abordagem médica em que se considera que os organismos vivos e o meio ambiente funcionam juntos, como um todo integrado.
Tal abordagem traz implícita a ideia de que, ao serem reunidos para constituir uma unidade funcional maior, os componentes individuais de um sistema desenvolvem qualidades diferentes das que seriam esperadas se funcionassem isoladamente, dissociados do todo.
A abordagem holística na medicina insiste no estudo não só de uma moléstia individual, mas também da reacção das pessoas a esta moléstia, sob os aspectos físico, psicológico e social.
Uma estratégia de tratamento deve, portanto, levar em conta as necessidades únicas de cada indivíduo.
Todas as facetas da doença são levadas em conta, tais como os efeitos da mesma nas relações pessoais, na família, no trabalho e no bem-estar emocional do paciente.
O tratamento holístico encoraja a capacidade do próprio paciente para se autocurar, em lugar de lançar mão de recursos cirúrgicos ou de drogas, e enfatiza a educação e o cuidado com o próprio organismo, incluindo dietas e exercícios.
A medicina holística é uma abordagem específica, não uma especialidade médica, não sendo exclusiva de nenhuma e podendo ser aplicada em todas.
A MGF deve, acima de tudo, ser uma Medicina Holística.




